Em um contexto marcado pela aceleração do crescimento urbano nas capitais da Região Norte, a questão do déficit habitacional deixou de ser um problema periférico para ocupar o centro do debate sobre desenvolvimento das cidades. Guilherme Campos, empresário com atuação consolidada no setor imobiliário e agro, representa uma geração de empreendedores que enxerga nessa demanda reprimida não apenas um desafio social, mas uma oportunidade real de transformação territorial. Haja vista que o crescimento desordenado das cidades amazônicas produziu, ao longo de décadas, ocupações irregulares, infraestrutura precária e ausência de planejamento viário, consolidando periferias que se expandem sem critério e sem suporte técnico adequado.
Em suma, reverter esse quadro exige mais do que políticas públicas isoladas: exige uma articulação entre iniciativa privada, planejamento urbano e vontade política capaz de produzir resultados duradouros.
O que define uma periferia planejada?
A distinção entre uma área periférica comum e uma periferia efetivamente planejada reside em um conjunto de decisões tomadas antes da ocupação, e não depois. Quando o loteamento é precedido por estudos de zoneamento, análise de impacto ambiental, previsão de saneamento básico e compatibilidade com o plano diretor municipal, o resultado é radicalmente diferente daquele produzido pela ocupação espontânea e irregular.
Ruas pavimentadas, lotes regularizados, espaços verdes reservados e acesso a serviços públicos básicos não são benefícios exclusivos de bairros nobres. São condições mínimas que uma periferia planejada pode garantir desde o projeto, reduzindo os custos futuros de urbanização corretiva e aumentando o valor real dos imóveis para os moradores. O planejamento, nesse sentido, não é luxo: é economia de longo prazo para o poder público e para as famílias que ali constroem suas vidas.
Déficit habitacional no Norte: números e realidade
A Região Norte concentra alguns dos maiores índices de déficit habitacional do país, com percentuais que superam a média nacional em estados como Roraima, Pará e Amazonas. Situações de famílias que habitam imóveis inadequados, coabitação forçada e ausência de titularidade fundiária são componentes estruturais desse problema, que se agrava à medida que as cidades crescem sem capacidade de absorver a demanda por novas moradias.

Segundo a avaliação de Guilherme Campos, o mercado imobiliário regional ainda opera abaixo do potencial necessário para absorver essa demanda, o que torna urgente a ampliação de empreendimentos voltados às faixas de renda média e popular. Desse modo, a combinação entre crédito habitacional acessível, regularização fundiária consistente e novos loteamentos bem localizados representa o caminho mais eficiente para reduzir esse passivo social acumulado ao longo de gerações.
Planejamento urbano como ferramenta de inclusão
Há um equívoco recorrente na leitura do planejamento urbano como instrumento voltado exclusivamente às elites. Na prática, um loteamento bem concebido na periferia tem mais impacto sobre a qualidade de vida de famílias trabalhadoras do que qualquer intervenção pontual de natureza assistencial. A diferença entre um bairro que funciona e uma ocupação que sobrevive está, quase sempre, nas decisões de projeto que antecedem a chegada dos moradores.
Guilherme Campos integra esse raciocínio à sua atuação, compreendendo que o desenvolvimento imobiliário responsável passa, necessariamente, pela criação de bairros habitáveis, conectados e formalmente constituídos. Quando a terra é parcelada com critério, o acesso à moradia própria deixa de ser privilégio e passa a ser resultado de um processo replicável, escalável e sustentável do ponto de vista social e econômico.
Roraima como laboratório de novas formas de ocupação
Roraima ocupa uma posição singular no contexto nacional: é um estado com população em expansão contínua, fronteiras internacionais ativas, fluxo migratório crescente e um mercado imobiliário que ainda está em fase de estruturação. Conforme analisado por Guilherme Campos, esse cenário cria condições favoráveis para que empreendimentos de loteamento planejado sejam implantados antes que a ocupação informal consolide padrões difíceis de reverter. A janela de oportunidade existe, e o aproveitamento dela depende de decisões técnicas, políticas e empresariais tomadas agora, não depois que o problema já estiver instalado.
Sendo assim, cidades que investem em planejamento no momento certo constroem uma base sólida para crescer sem os vícios das metrópoles que se organizaram às pressas, pagando hoje o preço de escolhas mal feitas no passado. O Norte do Brasil, e Roraima em particular, tem a chance rara de crescer de forma diferente, desde que os agentes envolvidos reconheçam o valor dessa janela antes que ela se feche.
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Autor: Diego Rodríguez Velázquez

