A qualidade dos serviços de saúde bucal prestados nas unidades de atenção primária é um assunto que tem ganhado destaque nas discussões sobre políticas públicas e acesso à saúde em diversas regiões do Brasil. A população de várias cidades tem enfrentado dificuldades para conseguir atendimento adequado, o que revela desafios estruturais que vão além da simples presença de profissionais. Em muitos casos, a ausência de recursos físicos e humanos compromete a rotina dos atendimentos e dificulta a promoção de ações preventivas e de tratamento completo para a comunidade.
Um dos problemas recorrentes está relacionado à insuficiência de profissionais capacitados para atender a demanda da população nos postos de saúde. A carência de profissionais treinados em saúde bucal tem impacto direto sobre o tempo de espera por consultas, procedimentos e acompanhamento clínico, gerando filas e prolongando o sofrimento dos pacientes. Essa situação também afeta a produtividade das equipes e a capacidade de oferecer um leque maior de serviços, como tratamentos restauradores ou preventivos, essenciais para manter a saúde oral da população.
Além da falta de pessoal, a infraestrutura disponível nas unidades básicas de saúde muitas vezes deixa a desejar, com equipamentos que não funcionam ou que não estão adequadamente mantidos. Sem equipamentos essenciais em pleno funcionamento, torna-se praticamente impossível realizar procedimentos básicos que são esperados em um serviço público de qualidade. Essa limitação reduz as opções de atendimento e acaba por empurrar os pacientes para longe das ações preventivas, contribuindo para o agravamento de problemas que poderiam ser evitados ou tratados mais cedo.
Outro aspecto que merece atenção é a manutenção de equipamentos e a disponibilidade de insumos básicos para os atendimentos. A falta de manutenção contínua e de materiais adequados impacta diretamente a rotina dos profissionais e a confiança dos usuários no serviço público. Quando cadeiras, compressores e instrumentos odontológicos estão fora de uso, a capacidade de oferecer atendimento eficiente é severamente restringida, obrigando os gestores a buscarem soluções emergenciais ou alternativas que, muitas vezes, não atendem à demanda imediata.
O esforço para ampliar o acesso inclui iniciativas móveis e estratégias de reorganização do atendimento, que buscam levar os serviços a locais onde a oferta é ainda mais escassa. A mobilidade dos serviços, por meio de unidades móveis ou parcerias com outras entidades, representa uma tentativa de reduzir as lacunas existentes no acesso à saúde bucal. Essas ações podem ser uma resposta criativa para superar barreiras geográficas e ampliar a cobertura, mas ainda dependem de coordenação e investimento adequados para garantir eficácia a longo prazo.
A falta de profissionais e de infraestrutura não apenas prejudica o atendimento direto, mas também limita a promoção de ações educativas e preventivas que são fundamentais para mudar a perspectiva da população em relação à saúde bucal. Programas de educação em saúde, realizados em parceria com escolas, comunidades e organizações, são essenciais para estimular hábitos adequados e fortalecer a consciência coletiva sobre a importância da prevenção. Sem essas iniciativas, cresce o risco de agravos bucais que demandam intervenções mais complexas e custosas.
A pressão por melhorias tem crescendo entre os usuários e profissionais que vivenciam diariamente as dificuldades enfrentadas no sistema de atendimento básico. Reclamações e sugestões da população indicam uma expectativa cada vez maior por serviços de saúde bucal que sejam acessíveis, eficientes e capazes de acompanhar as necessidades individuais de cada pessoa. Esse cenário evidencia que, para além de medidas pontuais, é necessária uma revisão estratégica das políticas de saúde que contemplem a ampliação de recursos humanos, materiais e de gestão.
Por fim, a busca por soluções sustentáveis passa pela integração das diversas esferas do poder público, pelo planejamento eficaz e pelo compromisso com a qualidade dos serviços prestados. Somente com um esforço contínuo e coordenado será possível superar os entraves e oferecer à população um serviço que respeite seus direitos, reduza as desigualdades e garanta atendimento digno e abrangente. A realidade atual é um chamado à ação para gestores, profissionais e comunidade se unirem em prol de um sistema de saúde bucal mais forte e acessível para todos.
Autor: Usman Inarkaevich

