A investigação envolvendo a cirurgiã-dentista processada no Rio por morte de paciente após procedimentos estéticos trouxe à tona um caso de grande repercussão e que levanta questões sobre a segurança e a regulamentação de tratamentos estéticos realizados fora dos parâmetros tradicionais. O caso, que ocorreu em 2024 e voltou a ganhar destaque após a denúncia ser aceita pela Justiça, envolve a morte de uma mulher que passou por múltiplos procedimentos estéticos em um consultório na capital fluminense. O episódio gerou questionamentos sobre as práticas adotadas e se profissionais da odontologia devem realizar intervenções que exigem níveis de habilidade diferentes daqueles previstos para sua formação tradicional.
De acordo com as investigações, a profissional que agora responde judicialmente teria realizado, em ambiente considerado inadequado, uma série de intervenções complexas que vão além do escopo convencional da odontologia. Procedimentos geralmente associados à cirurgia plástica teriam sido realizados em um local que não possuía estrutura compatível com esse tipo de intervenção. Além disso, surgiram indícios de que o espaço funcionava sem a devida regularização, o que expõe riscos adicionais tanto à segurança dos pacientes quanto à transparência sobre a real qualificação da profissional envolvida.
O processo que tramita na Justiça aponta que essas intervenções, além de complexas, não teriam sido devidamente explicadas à paciente no momento da contratação dos serviços. Relatórios técnicos indicam que complicações graves surgiram após os procedimentos, incluindo infecções generalizadas, hemorragias e danos aos tecidos, condições que acabaram levando ao agravamento do quadro clínico e, posteriormente, ao óbito. O acompanhamento pós-procedimento também se tornou um ponto central da investigação, com suspeitas de falhas no monitoramento da paciente.
Esse caso evidencia a necessidade de uma regulamentação clara sobre quem pode realizar determinados procedimentos estéticos e em quais condições. As normas atuais estabelecem limites para a atuação de profissionais da área da saúde, especialmente quando se trata de intervenções invasivas. Quando esses limites são ultrapassados, os riscos aumentam consideravelmente, podendo resultar em consequências graves e irreversíveis para os pacientes.
Outro aspecto relevante que emerge desse episódio é a importância do consentimento informado. Pacientes precisam receber informações claras, completas e compreensíveis sobre os riscos, benefícios e alternativas de qualquer procedimento estético. Além disso, é essencial que saibam exatamente qual é a formação e a habilitação do profissional responsável. A ausência dessas informações compromete a autonomia do paciente e pode levá-lo a tomar decisões sem plena consciência dos perigos envolvidos.
A cirurgiã-dentista processada no Rio por morte de paciente após procedimentos estéticos também reacende o debate sobre fiscalização. Órgãos reguladores e conselhos profissionais têm papel fundamental na verificação de clínicas e consultórios que oferecem esse tipo de serviço. A intensificação das fiscalizações e a criação de canais acessíveis de denúncia podem ajudar a prevenir situações semelhantes, protegendo a população de práticas irregulares.
Especialistas em direito e saúde avaliam que casos como esse tendem a gerar impactos jurídicos e regulatórios importantes. A responsabilização de profissionais que atuam fora de suas atribuições pode servir como precedente para decisões futuras e incentivar maior rigor na autorização de práticas estéticas. Esse cenário também estimula debates sobre possíveis mudanças na legislação e no controle das atividades relacionadas à estética.
Por fim, o caso reforça a necessidade de reflexão coletiva sobre os limites entre estética e segurança. Embora procedimentos estéticos possam trazer benefícios emocionais e sociais, eles não podem ser realizados sem critérios técnicos rigorosos e sem o devido respeito à vida humana. A conscientização dos pacientes, aliada à atuação responsável dos profissionais e à fiscalização eficiente, é essencial para evitar que tragédias semelhantes se repitam.
Autor: Usman Inarkaevich

