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Odontologia adesiva ganha destaque no Brasil e novas pesquisas podem mudar materiais e tratamentos dentários

Diego Rodríguez VelázquezPor Diego Rodríguez Velázquezagosto 12, 2026Nenhum comentário6 Mins Read
Odontologia adesiva ganha destaque no Brasil e novas pesquisas podem mudar materiais e tratamentos dentários
Odontologia adesiva ganha destaque no Brasil e novas pesquisas podem mudar materiais e tratamentos dentários

Congresso internacional realizado em Manaus reuniu pesquisadores de diferentes países e colocou biomateriais, adesão e tratamentos restauradores no centro do debate.

A Odontologia brasileira teve, nos últimos dias, um importante ponto de encontro científico com a realização do 8º Congresso Internacional de Odontologia Adesiva (IAD 2026), em Manaus, entre 5 e 8 de agosto. Organizado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o evento foi o primeiro congresso da série realizado na América do Sul e reuniu mais de 300 participantes, incluindo pesquisadores e profissionais brasileiros e estrangeiros. (Ufam) O destaque chama atenção porque a odontologia adesiva está diretamente relacionada à restauração de dentes, ao uso de materiais modernos e à preservação de estruturas dentárias. Para o paciente, a questão mais importante é entender se os avanços discutidos nesses encontros podem representar tratamentos mais conservadores, previsíveis e seguros no futuro.

Por que a odontologia adesiva está ganhando tanta importância nos tratamentos?

A odontologia adesiva reúne técnicas e materiais utilizados para estabelecer uma união entre estruturas dentárias e materiais restauradores. Em vez de depender exclusivamente de preparos mais extensos, a evolução dos sistemas adesivos permite que o profissional trabalhe, em determinadas situações clínicas, com maior preservação da estrutura dental. Essa mudança está alinhada ao conceito de odontologia minimamente invasiva, que busca equilibrar remoção de tecido comprometido, função, estética e preservação do tecido saudável. O congresso realizado em Manaus colocou justamente essa área em evidência, com participação de pesquisadores especializados em biomateriais, adesão e procedimentos restauradores. (IAD Congress –)

O interesse científico não está restrito à estética. Sistemas adesivos precisam apresentar desempenho adequado diante de um ambiente extremamente complexo, marcado por umidade, variações de temperatura, forças mastigatórias, biofilme e características diferentes entre esmalte e dentina. Por isso, pesquisas avaliam não apenas a capacidade inicial de adesão, mas também estabilidade, resistência, interação com os tecidos e possíveis efeitos biológicos. Um estudo publicado em agosto de 2026 no periódico Dental Materials, com participação de pesquisadores da USP e da Unesp, avaliou a citotoxicidade transdentinária de sistemas adesivos utilizando um modelo de câmara pulpar artificial microfisiológica. (PubMed)

Esses trabalhos ajudam a explicar por que congressos científicos são relevantes para a prática clínica. Uma novidade apresentada em laboratório não significa automaticamente que o material ou método esteja pronto para substituir protocolos consolidados, pois ainda são necessárias avaliações adicionais, incluindo estudos clínicos e acompanhamento de desempenho. Para o dentista, acompanhar essa produção científica ajuda a diferenciar inovação com evidência de simples promessa comercial. Para o paciente, significa que uma restauração moderna deve ser escolhida a partir da avaliação individual feita pelo cirurgião-dentista, e não apenas porque determinada tecnologia é apresentada como mais nova.

O que as pesquisas em biomateriais podem mudar para dentistas e pacientes?

Um dos caminhos mais importantes da pesquisa odontológica atual está no desenvolvimento de materiais capazes de desempenhar funções mais próximas das necessidades biológicas do dente. A pesquisa em biomateriais procura melhorar propriedades como adesão, resistência, estabilidade e interação com os tecidos, enquanto novos protocolos tentam reduzir falhas relacionadas à técnica. A programação do IAD 2026 incluiu justamente temas ligados à odontologia adesiva, biomateriais dentários e tecnologias restauradoras, mostrando que a evolução do setor depende da combinação entre ciência dos materiais e conhecimento clínico. (IAD Congress –)

Para os profissionais, essa evolução pode significar mudanças graduais na seleção de materiais e nos protocolos restauradores. O desenvolvimento de produtos mais previsíveis pode ampliar as possibilidades de tratamentos conservadores, mas a escolha continua dependendo de fatores como condição do dente, extensão do problema, controle de umidade, indicação do material e experiência clínica. Além disso, equipamentos digitais, scanners intraorais, planejamento computadorizado e fabricação por CAD/CAM vêm se aproximando da rotina de diferentes especialidades, criando fluxos de trabalho que combinam diagnóstico, planejamento e execução. A tecnologia, portanto, não elimina a necessidade de conhecimento clínico; ela aumenta a quantidade de informações disponíveis para a tomada de decisão.

A presença de pesquisadores brasileiros no cenário internacional também merece atenção. O congresso de Manaus teve coordenação científica do professor Marcelo Giannini, da Unicamp, e contou com pesquisadores de instituições brasileiras e estrangeiras, incluindo especialistas em materiais bioativos e adesão dental. Entre os participantes divulgados pelo evento estão pesquisadores da Unesp, Universidade Estadual de Ponta Grossa e instituições internacionais. (FAO UFAM) Esse intercâmbio fortalece a produção científica nacional e aproxima universidades, profissionais e indústria, criando oportunidades para formação acadêmica, desenvolvimento tecnológico e eventual incorporação de resultados científicos à prática odontológica.

Como o avanço científico pode chegar ao consultório odontológico?

A distância entre uma descoberta científica e sua aplicação clínica é uma das questões mais importantes para compreender as novidades da Odontologia. Um material pode apresentar resultados promissores em testes laboratoriais, mas ainda precisar de estudos clínicos, avaliações de longo prazo e análise de segurança antes de se tornar uma alternativa amplamente utilizada. Por isso, pacientes e profissionais devem observar com cautela anúncios que apresentam uma tecnologia experimental como se ela já fosse comprovadamente superior a todas as opções existentes. A própria realização de congressos científicos tem justamente a função de discutir evidências, limitações e possibilidades de evolução.

Para o dentista, acompanhar eventos como o IAD 2026 pode representar uma oportunidade de atualização, mas a incorporação de qualquer nova técnica exige avaliação criteriosa. Também entram nessa análise fatores como treinamento profissional, regulamentação aplicável, disponibilidade de equipamentos, indicação clínica e qualidade dos materiais utilizados. No Brasil, a atuação profissional é fiscalizada pelo sistema formado pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) e pelos Conselhos Regionais de Odontologia, enquanto produtos sujeitos à vigilância sanitária precisam observar as regras aplicáveis da Anvisa. Assim, inovação clínica precisa caminhar junto com responsabilidade profissional, segurança e conformidade regulatória.

Para o paciente, o principal efeito desse avanço tende a aparecer de maneira gradual. Novos materiais e técnicas podem contribuir para restaurações mais conservadoras e para fluxos digitais mais eficientes, mas não existe uma tecnologia universalmente melhor para todos os casos. A avaliação presencial continua sendo indispensável para definir diagnóstico, indicação e alternativas de tratamento. Pessoas que tenham dor, fratura, alteração de cor, sensibilidade persistente ou qualquer mudança na boca devem procurar um cirurgião-dentista para avaliação, sem tentar substituir o atendimento profissional por informações encontradas na internet.

O congresso realizado em Manaus mostra que a Odontologia brasileira participa ativamente das discussões internacionais sobre materiais, adesão e inovação restauradora. Nos próximos anos, a tendência é que a integração entre biomateriais, odontologia minimamente invasiva e tecnologias digitais continue avançando, embora a velocidade de chegada dessas soluções ao consultório dependa da qualidade das evidências científicas e das exigências regulatórias. Para os dentistas, isso reforça a importância da educação continuada e da leitura crítica de pesquisas. Para os pacientes, o cenário pode significar novas alternativas de tratamento, desde que cada novidade seja incorporada com critérios, segurança e indicação profissional. A transformação da Odontologia, portanto, não acontece apenas quando surge um novo produto, mas quando a ciência consegue demonstrar que ele realmente melhora o cuidado.

Diego Rodríguez Velázquez
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