Existe uma forma de filantropia que opera à distância: recursos transferidos para causas genéricas, sem contato real com as pessoas atendidas, sem conhecimento das especificidades locais e sem a presença que transforma uma doação em um relacionamento. E existe uma filantropia de proximidade: aquela que nasce do contato direto com a realidade que quer transformar, que se alimenta do conhecimento íntimo das necessidades locais e que constrói confiança pela constância da presença.
Eloizo Gomes Afonso Duraes praticou o segundo modelo desde o início, e essa escolha determinou o tipo de instituição que a Fundação Gentil Afonso Duraes se tornou.
A empresa que virou ponto de partida
Quando Eloizio Gomes Afonso Duraes instalou sua empresa no Jaguaré, em julho de 2003, tornou-se vizinho das famílias cuja realidade logo o mobilizaria. Essa proximidade geográfica foi o que possibilitou a percepção direta de uma necessidade que estatísticas não capturam com a mesma nitidez que o contato humano cotidiano. As crianças que começaram a receber aulas de informática em setembro daquele ano não eram beneficiárias abstratas de um programa desenhado em gabinete. Eram as crianças do bairro, cujos rostos ele via e cujas histórias ele conhecia.

Essa familiaridade inicial moldou toda a trajetória subsequente da Fundação. Os programas que foram sendo adicionados ao longo de 2004, do reforço escolar às cestas básicas, respondiam a necessidades que Eloizo Gomes Afonso Duraes havia identificado de perto, não a tendências de relatórios setoriais.
Confiança que só a presença constrói
Comunidades vulneráveis têm razões históricas para desconfiar de projetos externos que chegam com promessas e partem quando as dificuldades aparecem. A confiança que a Fundação Gentil Afonso Duraes construiu no Jaguaré e nas comunidades nordestinas onde atua foi conquistada da única forma possível: estando presente de forma consistente ao longo de anos, entregando o que prometeu e permanecendo quando seria mais fácil recuar.
Eloizio Gomes Afonso Duraes nunca foi um filantropo de visita. Foi um vizinho que decidiu agir, e essa distinção é o que torna a relação entre a Fundação e as comunidades atendidas genuína e duradoura.
O que a proximidade produz que a distância não pode
Organizações que operam próximas às comunidades que atendem tomam decisões melhores porque têm informação melhor. Sabem quando um programa precisa ser ajustado antes que os números de um relatório anual apontem o problema? Identificam novas necessidades emergentes antes que se tornem crises. Constroem os laços humanos que transformam beneficiários em parceiros ativos do projeto. Eloizo Gomes Afonso Duraes colheu todos esses benefícios da filantropia de proximidade ao longo de mais de vinte anos, e a solidez do que construiu é, em grande parte, resultado direto dessa escolha de estar perto.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

